Bebê chora, sem parar, com cólica
14/08/2009 - 10:44
Deixai toda esperança, oh vós que entrais! A frase aparece inscrita na entrada do Inferno de Dante, aquele da Divina Comédia, e resume bem a situação de quem lida com um recém-nascido com cólica. Pode acreditar, é o choro mais desesperador que você já ouviu. Ele está alimentado, fralda limpa, nem muito nem pouco agasalhado... Então, por que o barulho? A vilã é a cólica, que ataca a maioria dos bebês até os três meses. A criança fica pálida ou vermelha, as pernas se encolhem até o abdômen, que fica enrijecido, os pés ficam gelados, e as mãos fechadas. Segundo os médicos, a dor não tem um diagnóstico só: cada cólica pode ter uma explicação diferente.
Uma das causas prováveis é o excesso de ar engolido na mamada. Sim, a mamadeira pode ajudar a criança a colocar ar indevido pra dentro, mas amamentar não garante que o filho passe incólume. Alguns nutrientes ingeridos pela mãe, como a fibra da casca de feijão ou a proteína animal do leite de vaca, "passam" através do leite materno e potencializam as dores. Mas uma dieta exemplar não necessariamente vai te livrar do problema. Outra causa pode ser excesso de comida. Bebês também sofrem simplesmente por estar com a barriga cheia demais. Vale pedir gotas antigases para o pediatra ou usar recursos como apoiar a criança de bruços no antebraço para gerar uma pressão no abdômen, que colabora para a eliminação de alguns puns. Massagens com movimentos circulares no abdômen e fazer bicicleta com as perninhas pode ser útil.
Alguns médicos recomendam bolsa térmica morna ou uma fralda aquecida na área (cuidado com a temperatura!). Para alguns bebês, funciona. Para outros, garante um tempo sem choro. Tipo cinco minutos. Outra vertente liga a cólica ao estado de espírito do bebê, que fica cansado com o excesso de estímulo e, sem saber como relaxar, chora. Ambientes muito barulhentos podem causar excitação. Um conselho? Evite-os logo no começo, principalmente naquele horário em que você já sabe que a criança chora.
Agora, se dar uma volta de carrinho ou de carro mesmo ajuda, faça isso. Respirar um pouco de ar fresco pode ser bom para seu filho. E para você. Ficar entre quatro paredes com um bebê se esgoelando dá vontade de sentar e chorar também. Para algumas crianças, a velha técnica de enrolar no cueiro dá resultado. A mantinha limita o movimento dos membros, como era quando o bebê ainda estava apertadinho dentro do útero. Outra tática que pode parecer maluca é introduzir um ruído constante no ambiente, como o de um secador de cabelo, um aspirador de pó... A criança se concentra no barulho regular e se desconecta de outros estímulos, acalmando-se. Às vezes funciona.
O mais importante - e talvez mais difícil - é manter a tranquilidade. Não tenha medo de "mimar" a criança por estar com ela sempre no colo. Embalar o bebê e mantê-lo próximo ao calor da mãe ajuda, porque gera a sensação de proteção e reduz a ansiedade. E peça auxílio: avós, tias, aquela vizinha ou amiga solícita podem fazer muito por sua sanidade mental. Por que alguns bebês sofrem, e outros não, ainda é um mistério para a ciência. A única certeza é que a cólica passa, quase como mágica, por volta dos três meses. Quem conseguir descobrir uma fórmula infalível contra a cólica é sério candidato ao Prêmio Nobel da Paz. Enquanto o milagre não vem, o melhor mesmo é ter muita paciência.
CONSULTORIA: ANA MARIA VENTURI, MÃE DE ARTHUR E RAFAEL, É PEDIATRA HOMEOPATA E CARDIOLOGISTA INFANTIL, TEL.: (11) 3826-6205 ANTONIO CARLOS DE SOUZA ARANHA, PAI DE TARSILA, LARA E THIAGO, É PEDIATRA ANTROPOSÓFICO, TEL.: (11) 5687-3799
Fonte: Revista Pais&Filhos |